segunda-feira, 26 de abril de 2010

Fico pasma com a fugacidade que as pessoas deram ao amor. É impressionante
como que com poucas semanas de relacionamento, os amantes já se declaram
apaixonados, fazem juras de amor eterno, declarações pra quem quiser ver e
ouvir. Ainda mais nos meios digitais, flogs e orkuts. Efêmeros “eu te amo”…
Tudo bem que quando se tem 15, 16, 17 anos, você realmente acha que é completamente
apaixonada por aquele garoto e que nunca, jamais, em hipótese nenhuma vai deixar
de ser. Mas quando você ultrapassa duas décadas, as coisas mudam de perspectiva.
Falar “eu te amo” toma uma dimensão muito maior. Quando você diz que ama alguém,
quer dizer que admira absolutamente tudo naquela pessoa. Você ama as qualidades
positivas, mas, principalmente, conhece as negativas e mesmo assim continua apaixonado.
Sabe aquelas coisinhas irritantes em qualquer pessoa do mundo? Pois é, na pessoa
amada elas são coisinhas irritantemente lindas.
Amor não aparece do nada, e nem vai embora do nada. Amor é aquele
estágio pós-paixão, quando você começa a conhecer todos os defeitos da
pessoa e mesmo assim quer continuar junto. É quando você começa a pensar
no plural, o singular não existe mais. É quando você pára de sonhar e começa
a realizar. Amor se conquista. Amor se aprende, é um exercício constante.
Porque dizer que ama é fácil; difícil mesmo é provar. E eu não falo de declarações
explícitas, presentes caros e beijos apaixonados. Tudo isso tem de ser conseqüência.
Amar é cuidar quando a pessoa fica doente, assistir aquele filme chato com cara de
feliz, é trazer aquele doce gostoso na tpm, é olhar nos olhos e já saber o que a outra
pessoa está sentindo, é sorrir só de vê-lo sorrindo, é abraçar e dar o ombro pra
chorar sem perguntar absolutamente nada, é brigar feio e mesmo assim ainda querer
ficar com ela, é se sentir preenchido.
Amor de verdade não desaparece. E não apenas o amor romântico, mas todos os
tipos de amor, especialmente a amizade.
Proponho agora um movimento. Vamos lutar contra a banalização
do “eu te amo”. Porque “eu te amo” não é “bom dia”!

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